O Vigia da Noite

Até a blogolândia pode e deve ser analisável... Armado do meu mestrado em crítica construtiva aplicada e do meu doutoramento em análise legítima da blogosfera, espero poder contar convosco para concordar e discordar das minhas opiniões sobre tudo o que de tão diferente por aí anda a vogar...

3.4.06

Poesia para quem quiser


Género: Poesia.

Desde: Setembro de 2005.

Autor(es): Jorge Simões/Joaquim Camarinha.

Actualizações: Muito frequentes.

Endereço: http://poemastextos.blogspot.com/ .



Há muito que ando de olho neste blog... Se é basicamente impossível encontrar-se poesia forte, expressiva, plena de ideais concretas semeadas de polissemia e com um bom trabalho da linguagem, tudo isso acrescido de múltiplas imagens excelentemente escolhidas, encontrei-o aqui.
Se indico a data de início do Poesia para quem quiser como Setembro de 2005 é porque, a partir de certo momento e por razões que desconheço, o(s) autor(es) deixou/deixaram de mencionar, como era habitual, a data de publicação no topo de cada post/poema.
O certo é que, tendo em conta a fluência criativa de quem se encontra por detrás deste blog, temos, em poucos meses, praticamente material para uma compilação daquelas muito bem recheadas. E se, entretanto, ninguém decidir fazer uma clássica publicação em papel do material que cresce de forma incomum, corremos o risco de que, um dia, alguém depare com uma dúzia de baús, tão dúzia, tão baús, que nem saiba bem que lhes fazer... Não quero, é evidente, estabelecer aqui uma comparação com Pessoa e heterónimos, visto que Pessoa há só um, apesar das (bem aproveitadas) influências pessoanas, como de outros poetas grandes, como de si mesmo, porque se trata de poesia bastante original. Mas devo salientar que há uma curiosidade que torna este espaço único e nos remete para Pessoa, à falta de outras experiências interessantes do género...
Desde o início, o autor foi Joaquim Camarinha, um heterónimo com vida própria que se encontra, aliás, descrita num primeiro texto intitulado Quem é Joaquim Camarinha?, de um tal Eu. Entremeando a multidão de poemas e imagens que não poucas vezes me assombraram, foram-se somando, ocasionalmente, novos episódios deste Quem é Joaquim Camarinha?, entrevistas ou conversas, nestes casos, entre Joaquim Camarinha e o desconhecido Eu.
E eis que hoje me deparo com uma reviravolta no Poesia para quem quiser... Joaquim Camarinha (foto da esquerda, sempre de rosto invisível), o heterónimo, envia uma carta ao Eu, agora identificado como Jorge Simões (fotografia da direita), de profissão poeta :) - o smilie é do perfil-, em que admite sentir necessidade de partir, de viajar (como já fizera antes, se lermos o primeiro Quem é Joaquim Camarinha?), de descobrir novos rumos e culturas. Joaquim Camarinha deixa o espaço a Jorge Simões, pedindo-lhe apenas que mantenha o blog vivo e dentro da mesma linha por si iniciada. Jorge Simões acede e eis que temos agora um Poesia para quem quiser de Jorge Simões. Camarinha não revela para onde parte, mas promete enviar notícias quando achar por bem. Tendo nós encarado a personagem de forma tão séria, tememos pelo futuro do blog. Já tivemos, no entanto, a oportunidade de ler um novo poema, desta feita da autoria de Jorge Simões, e não ficámos de modo algum desapontados... Mantém-se a linha, mantém-se a força, mantêm-se as ideias, mantém-se a poesia com P maiúsculo. Tudo isto para concluir que é muito possível que não haja verdadeiros heterónimos. Mas há, com certeza, boas histórias.
Fora isso, o Poesia para quem quiser, com um layout simples mas bastante eficaz, presenteia-nos com um conjunto de óptimos links para sites (obra completa de Fernando Pessoa e espólio manuscrito de Alberto Caeiro, biografia, fotos e poemas de Manuel Bandeira, um site com inúmeros links sobre Sylvia Plath, biografia, poemas e fotos de Carlos Drummond de Andrade, The Hemingway Resource Center e ainda os sites oficiais de Amin Maalouf, Dan Brown e Steven Saylor, para quem apreciar) e mais uns quantos para blogs, uns melhores, outros não tão bons, não somente portugueses (de entre os portugueses, devemos salientar o Incomunidades, com link mútuo), da mesma forma que, a título de curiosidade, vários blogs chilenos interessantes se linkaram a este blog de poesia portuguesa.
Apenas para quem aprecie poesia, é certo. Também para quem aprecie imagem. Melhor, para quem aprecie a ligação perfeita entre ambas. E, porque não?, para quem aprecie uma boa história que não necessita de ser narrada à maneira de um romance. Nós (ou eu, porque já brincaram comigo pelo facto de fazer uso do "nós") certamente apreciamos o conjunto na totalidade.



Classificação: = Excelente.

10 Comments:

At 1:01 da tarde, Blogger Alma said...

Sem dúvida Excelente!!
Até sempre... um beijo

 
At 2:22 da tarde, Blogger clotilde said...

Não deixe a morgadinha ( que é a Luz)ir embora!!!

http://amorgadinha.blogspot.com/

 
At 3:33 da tarde, Anonymous 2segredos said...

http://2segredos.blogspot.com/

 
At 5:53 da tarde, Blogger daalgempaKu said...

Está lindooooooooooo

 
At 6:40 da tarde, Blogger Anarquista Duval said...

Obrigado pelo link

 
At 8:26 da tarde, Anonymous davis said...

pareceu-me poesia sem poesia, tipo... manuel alegre. :(

 
At 9:01 da tarde, Blogger The Watcher said...

Como isto é um local de opinião, todas as opiniões são bem vindas e aceitáveis, desde que genuínas e correctas.
A minha opinião, já a transmiti atrás, pelo que não tenho nada a acrescentar. Aliás, gostos não se discutem...
No entanto - e não encontrando grandes elos de ligação entre a poética de Manuel Alegre e a do blog em causa - fico muito curioso em saber, concreta e justificadamente (assim, de forma científica, digamos):
a) Porque é que Manuel Alegre é poesia sem poesia;
b) Porque é que Joaquim Camarinha/Jorge Simões é poesia sem poesia;
c) O que é poesia com poesia.

Se não vieste só deixar uma boca, gostaria sinceramente de conhecer os teus motivos de modo mais aprofundado. Possivelmente, os comentários são um espaço pequeno, mas tens a minha caixa de correio. :)

 
At 5:04 da tarde, Blogger Jorge Simões said...

Quero, antes de mais, agradecer-te uma crítica excelente. Quanto à questão deixada por um tal davis, penso que se engana em absoluto. Por muito que reconheça um papel poético a Manuel Alegre, nunca ele foi para mim fonte de inspiração, nem formal, nem temática. Somos dois frutos de árvores temporais muito diferentes.

 
At 3:54 da tarde, Blogger Mais um... said...

muito bom seu blog.. parabéns!

 
At 3:55 da tarde, Anonymous Anónimo said...

e análise formal de um poema não?
Badalhoco cara de cu

 

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